A filosofia a serviço da formação do ser humano (2022)

Só a verdade liberta o homem

só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem.

A filosofia a serviço da formação do ser humano (1)

As palavras de Platão que citamos na abertura, aplicam-se ao mundo das ideias, e não ao mundo criminal> Neste, a verdade também liberta uma vez provada e, mantém -se sempre em relação ao Réu, a presunção de inocência. A preocupação dos inocentes deve ser sempre em relação à possibilidade de um erro Humano, e que a verdade da sua inocência seja provada, pois infelizmente, existem sempre os que tentam iludir a verdade para fins escusos, e os que tentam distorcer ideias ou frases, dando-lhes segundo sentido, ou criando dúvidas com dúbias leituras.

Segundo Ângelo D’Aversa, ateu e devoto do platonismo, a obra de Platão é desenvolvida com base em três princípios:

·a importância do conhecimento verdadeiro;

·a união do saber com a aplicação deste;

·a justiça como base da vida individual e coletiva.

Pela admiração que nutria por Sócrates, dizia também o idoso e venerando professor, que Platão adotou o método dialógico de seu querido mestre praticamente na totalidade de sua obra. Admirável, a maestria que o grande filósofo demonstra no uso da forma literária do diálogo que o consagrou como o maior dos filósofos e como o maior prosador da língua grega.

A Teoria das Ideias foi desenvolvida em vários “Diálogos” de Platão, e sua principal mensagem é certamente destacar a importância do conhecimento verdadeiro, um dos três princípios básicos da obra platônica, acima citados.

No desenvolvimento dessa teoria, Platão lançou mão de metáforas, como, por exemplo, a Alegoria da Caverna, que se tornaram mitos da cultura ocidental. E, como observa a professora de filosofia Bernadete Siqueira Abrão, utilizou também a geometria como base de comparação, pois considerava os objetos e corpos geométricos como Ideias.

Segundo Platão, existem dois mundos diferentes: o mundo das Ideias, imutável, ou mundo inteligível, só percebido pelos “olhos da alma” (o intelecto e a razão) e não pelos sentidos; e o mundo sensível, que muda continuamente e que percebemos pelos sentidos. Para o filósofo, as coisas do mundo sensível não são mais que simples cópias – imperfeitas – do que existe no mundo do pensamento, da abstração, o universo das Ideias. Por serem meras cópias, todas as coisas do mundo sensível têm seus correspondentes verdadeiros, sua essência, na dimensão das Ideias.

Precisamos acreditar que:

·a justiça, o bem, a bondade, o amor, o belo do mundo sensível

têm sua origem:

·na Justiça, no Bem, na Bondade, no Amor, no Belo do mundo das Ideias.

Essas Ideias-modelo são:

·a Justiça em si, o Bem em si, a Bondade em si, o Amor em si, o Belo em si.

E não em supostas simulações ou Similes.

O mundo sensível compõe-se de dois gêneros de cópias imperfeitas: as de natureza abstrata e as de natureza concreta.

Abstratas:

·a beleza, o amor, a bondade, o bem, a justiça…;

Concretas:

·a mesa, a cadeira, a casa, a pedra, o homem, a mulher…

Ao contrário de suas cópias imperfeitas, mutáveis, passageiras, sujeitas ao envelhecimento e à destruição, as Ideias originais – fundamento e modelo do mundo que se apresenta aos nossos olhos e demais sentidos – são perfeitas, indestrutíveis, imutáveis e eternas.

“A tese da existência de um mundo das Ideias diferente do mundo real, ou sensível, levantou um problema que tem ocupado filósofos e matemáticos até os dias atuais: a independência e a objetividade das estruturas formais sobre as quais se constrói boa parte do saber científico. Uma vez que as experiências dos sentidos são enganosas e que só a razão leva ao conhecimento do Bem, segundo a teoria das Ideias do ilustre filósofo grego, resta uma questão: como confiar na razão? Não seria ela dada a erros, como os sentidos?”

Lição de Platão: “Só a luz – a verdade – liberta o homem e o leva ao mundo das Ideias”.

Cerca de três séculos mais tarde, Jesus (reencarnação simbólica de Platão) dirá também a seus discípulos: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Claro que o Homem pode errar, mas a Busca da Verdade deve ser sempre o seu objetivo.

A busca pela verdade caminha sobre uma linha estreita entre afirmações objetivas e ceticismo apurado. Neste aspecto, podemos perceber que os conhecimentos que provém da ciência, ainda que incompletos, evoluem de maneira gradual e progressiva. Ou seja, o nosso fundo de verdade em ciência nunca vai começar necessariamente do zero.

Há no entanto muito mais profundidade nos campos da filosofia da ciência e sociologia da ciência que podem e devem ser sondados com mais clareza e objetividade. Esperamos que isso possa ser feito mais tarde enquanto partilhamos o que já temos.

O pensamento do filósofo grego Sócrates (469-399 a.C.) marca uma reviravolta na história humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Como diria mais tarde o pensador romano Cícero, coube ao grego "trazer a filosofia do céu para a terra" e concentrá-la no homem e em sua alma (em grego, a psique). A preocupação de Sócrates era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.

Nessa empreitada de colocar a filosofia a serviço da formação do ser humano, Sócrates não estava sozinho. Pensadores sofistas, os educadores profissionais da época, igualmente se voltavam para o homem, mas com um objetivo mais imediato: formar as elites dirigentes. Isso significava transmitir aos jovens não o valor e o método da investigação, mas um saber enciclopédico, além de desenvolver sua eloquência, que era a principal habilidade esperada de um político.

Sócrates concebia o homem como um composto de dois princípios, alma (ou espírito) e corpo. Do seu pensamento surgiram duas vertentes da filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista, que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do mundo das ideias, deu a estas status de realidade; e a outra é a realista, partindo de Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão que submeteu as idéias, às quais se chega pelo espírito, ao mundo real.

Nas palavras atribuídas a Sócrates por Platão na obra Apologia de Sócrates, o filósofo ateniense considerava sua missão "andar por aí (nas ruas, praças e ginásios, que eram as escolas atenienses de atletismo), persuadindo jovens e velhos a não se preocuparem tanto, nem em primeiro lugar, com o corpo ou com a fortuna, mas antes com a perfeição da alma".

Defensor do diálogo como método de educação, Sócrates considerava muito importante o contato direto com os interlocutores - o que é uma das possíveis razões para o fato de não ter deixado nenhum texto escrito (tal como aconteceu com Cristo). Suas ideias foram recolhidas principalmente por Platão, que as sistematizou, e por outros filósofos que conviveram com ele.

A filosofia a serviço da formação do ser humano (2)

Sócrates se fazia acompanhar frequentemente por jovens, alguns pertencentes às mais ilustres e ricas famílias de Atenas. Para Sócrates, ninguém adquire a capacidade de conduzir-se, e muito menos de conduzir os demais, se não possuir a capacidade de autodomínio. Depois dele, a noção de controle pessoal se transformou em um tema central da ética e da filosofia moral. Também se formou aí o conceito de liberdade interior: livre é o homem que não se deixa escravizar pelos próprios apetites e segue os princípios que, por intermédio da educação, afloram de seu interior.

Opondo-se ao relativismo de muitos sofistas, para os quais a verdade e a prática da virtude dependiam de circunstâncias, Sócrates valorizava acima de tudo a verdade e as virtudes - fossem elas individuais, como a coragem e a temperança, ou sociais, como a cooperação e a amizade. O pensador afirmava, no entanto, que só o conhecimento (ou seja, o saber, e não simples informações isoladas) conduz à prática da virtude em si mesma, que tem caráter uno e indivisível.

Segundo Sócrates, só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana, dizia, introduzindo na história do pensamento a discussão sobre a finalidade da vida.

O papel do educador é, então, o de ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio "iluminar" sua inteligência e sua consciência. Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma forma que contesta os argumentos dos alunos. Para o filósofo, só a troca de ideias dá liberdade ao pensamento e a sua expressão - condições imprescindíveis para o aperfeiçoamento do ser humano.

A filosofia a serviço da formação do ser humano (3)

Uma coisa que me causa extrema preocupação é a forma como as pessoas se contentam com o Conhecimento Superficial, achando que já sabem tudo pelo simples conhecimento das coisas, sem tentarem aprofundar esse conhecimento, tornando-o mais abrangente e completo, tornando-se capazes de criar ideias, como defendia o filósofo.

Sócrates comparava a sua função com a profissão de sua mãe, parteira - que não dá à luz a criança, apenas auxilia a parturiente. "O diálogo socrático tinha dois momentos", diz Carlos Roberto Jamil Cury, professor aposentado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

O primeiro corresponderia às "dores do parto", momento em que o filósofo, partindo da premissa de que nada sabia, levava o interlocutor a apresentar suas opiniões. Em seguida, fazia-o perceber as próprias contradições ou ignorância para que procedesse a uma depuração intelectual. Mas só a depuração não levava à verdade - chegar a ela constituía a segunda parte do processo. Aí, ocorria o "parto das idéias" (expresso pela palavra maiêutica), momento de reconstrução do conceito, em que o próprio interlocutor ia "polindo" as noções até chegar ao conceito verdadeiro por aproximações sucessivas. O processo de formar o indivíduo para ser cidadão e sábio devia começar pela educação do corpo, que permite controlar o físico.

Já para a educação do espírito, Sócrates colocava em segundo plano os estudos científicos, por considerar que se baseavam em princípios mutáveis. Inspirado no aforismo "conhece-te a ti mesmo", do templo de Delfos, julgava mais importantes os princípios universais, porque seriam eles que conduziriam à investigação das coisas humanas.

Não pretendo tornar este texto muito longo, para não o tornar maçante, mas quero apenas frisar que a vida é um aprendizado permanente e cada dia passado sem que se tenha aprendido algo novo, é um dia perdido, não importa o quanto tenhamos trabalhado!

A filosofia a serviço da formação do ser humano (4)

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Author: Golda Nolan II

Last Updated: 11/06/2022

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